BrLab 2017

Apresentação Sesc-SP

A escrita audiovisual

Em sentido teológico, a palavra – ou o verbo – constitui o signo da criação. Assoprada por Deus, a palavra inaugura realidades, constrói mundos, edifica valores e sentidos de viver. Assim se constituíram os textos sagrados, por meio de uma escrita fundante da verdade terrena e da verdade extramundana. E assim, também, se estabeleceram os primeiros textos históricos e poéticos, ao fixarem e perpetuarem no tempo e no espaço a criação humana em ações e acontecimentos, em dramas e epopeias. O que seria do humano sem a escrita? O ato de escrever é uma poiesis, uma capacidade de produzir criativamente, e representativamente, determinada realidade. Por certo, o sentido atribuído pelos helênicos à palavra poiesis demarca a devida medida de sua importância: uma atividade que revela a beleza do espírito e da vida. Um processo em que se (d)escreve certa realidade, em dupla chave: res fictae e res factae – num movimento contínuo, da realidade fictícia que se cria pela escrita, pela narrativa, e da realidade factual que se apresenta na forma de literatura, de uma história. Transposto para o terreno do audiovisual, o roteiro é a forma escrita da história que se quer construir, por meio de uma estrutura narrativa que se faz ouvir, sentir e, principalmente, ver. Na consideração desses aspectos, o BrLab – Desenvolvimento de Projetos Audiovisuais, junto com a ABRA – Associação Brasileira de Autores Roteiristas, realiza o BrPlot – Encontro de Roteiristas, composto por 6 mesas que buscam discutir aspectos relacionados à construção de roteiros, em adição às ações do laboratório de projetos. O Sesc abriga as ações do BrLab, assim como as mesas do BrPlot, de maneira a reforçar o compromisso que a instituição mantém na difusão audiovisual e na reflexão sobre um meio que é determinante para a construção de imaginários e novas realidades, unindo literatura e história, realidade e ficção.

Danilo Santos de Miranda
Diretor Regional do Sesc São Paulo